Empresa familiar fatura com produção de manequins

Com investimento em material e design, a Artviva cresceu 200% nos últimos três anos

Por Rafael Farias Teixeira

O trio de irmãos paulistanos Erisvaldo, Edivaldo e Manoel Soares trabalha no mundo da moda. Não, eles não criam o design ou a modelagem de peças que vestirão modelos nas passarelas de desfiles badalados. Na verdade, desenvolvem as “pessoas” que usarão esses artigos nas vitrines das lojas. Eles são os empreendedores por trás da Artviva, empresa especializada em manequins.

A ideia para começar o negócio surgiu na década de 1990, quando Edivaldo e Manoel já trabalhavam no ramo e notaram o potencial desse mercado. Erisvaldo endossou a ideia, e os três começaram a produção em 1992. Enquanto os dois primeiros trouxeram expertise, Erisvaldo fez o investimento no projeto. “No começo, eu ainda trabalhava em um emprego coorporativo para sustentar os primeiros passos do negócio”, conta.

A Artviva começou em um espaço que não passava de 60 m², com todos os modelos produzidos manualmente, a partir do design desenvolvido por Manoel. O investimento inicial foi de R$ 10 mil. Depois de dois anos, passaram para um local com 350 m². Recentemente, mudaram para uma fábrica com quase 2.000 m² e 45 funcionários, localizada em Guarulhos (SP). Em 2000, também abriram um ponto de vendas diretas para seus manequins. A produção deu um grande salto, passando de apenas 60 unidades mensais para 600 peças.

Reinvenção da empresa

Por volta de 2004, os irmão Soares ganharam um cliente que se mostraria uma grande mudança na estrutura da empresa. Marcos Gold trabalhava no varejo de moda e no marketing da marca de roupas TNG. “Eu estava procurando manequins e fiquei encantado com a produção da Artviva”, conta. “Comecei como cliente, mas depois passei a trabalhar como consultor de imagem da empresa.”

Depois de diversas conversas, o grupo percebeu que o negócio precisava repensar sua produção e se reinventar para conquistar uma parcela maior do mercado. “Um dos primeiros passos foi mudar o material que usávamos, desenvolver uma linha mais sustentável”, explica Gold. Antes, os modelos eram feitos com fibra de vidro de difícil degradação. Agora, são produzidos a partir de polietileno reciclado, de mais fácil reutilização e absorção pelo ambiente.

O segundo passo foi repensar os modelos e suas estéticas. “No Brasil, há muita demanda, mas pouca pesquisa sobre o assunto”, diz Gold. “Alguns trabalhos deixam muito a desejar nas proporções do corpo humano, na falta de verossimilhança nos cabelos, olhos e outros aspectos.” O grupo resolveu instituir viagens periódicas ao exterior para se manter atualizado sobre as tendências mundiais. Também investiu em livros e pesquisas. “Lá fora, fazer manequins tem um aspecto artístico muito maior, não é essa algo apenas funcional”, diz Manoel. “Primeiro vem o artístico, depois o industrial.”

As mudanças feitas necessitaram de um investimento de R$ 500 mil, que também considerou a adaptação das máquinas para a utilização do novo material. A reestruturação proporcionou um crescimento de 200% no faturamento nos últimos três anos. Hoje, a Artviva conta com mais de 3 mil clientes, incluindo marcas como TNG e Brooksfield. Como projetos futuros, os irmãos pretendem investir mais na venda on-line e arquitetar uma forma de exportar seus modelos.

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