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Quer abrir o próprio negócio?

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Quer abrir o próprio negócio?
Ser dono do próprio nariz é o desejo de muitos profissionais. Saiba quais cuidados você deve tomar ao escolher o sócio, fazer o contrato e aumentar suas chances de sucesso
Melissa Cerozzi (undefined) 11/11/2010

Em busca de independência financeira, flexibilidade no horário de trabalho ou liberdade para tomar decisões, cada vez mais gente deixa o emprego para investir no próprio negócio. Porém, nem sempre essa caminhada é feita sozinho – muitos profissionais buscam um sócio para dividir os custos e riscos da nova empreitada. Mas o que é preciso para montar uma sociedade de sucesso? Como fazer essa parceria dar resultados positivos? Quais os cuidados com contrato, investimentos e no dia a dia que uma sociedade exige? Como colocar a "alma" nos negócios e fazer seu sócio ter o mesmo ritmo que você? Para responder essas e outras perguntas, chega às livrarias este mês o "Manual do Sócio – Tudo o Que Você Precisa Saber Antes de Iniciar Ou Terminar Uma Sociedade" (Editora Íthala), escrito pelo advogado especialista em direto societário, Jair Gevaerd. O livro, como o próprio nome diz, é um manual que também incorpora princípios de liderança e traz soluções para os principais problemas do cotidiano na empresa. A seguir, a entrevista de Jair a VOCÊ S/A.

O Gesheft, o negócio com alma a que o senhor se refere no livro, consiste uma empreitada com êxito. O que é preciso para construir uma sociedade de sucesso?
Um contrato bem discutido e que detalhe os reais objetivos, limites e precauções dos sócios é o alicerce para a construção de uma sociedade resistente às naturais turbulências da aventura de ter o próprio negócio.

No livro o senhor afirma que todos fazemos negócios e contratos o tempo todo, mas que apenas alguns os fazem com alma. O que isso quer dizer?
Assim como ninguém nasce sabendo ser pai ou marido, ser sócio também resulta de um aprendizado feito de erros e acertos. Saber com quem, de quanto dispor [financeiramente] e até quando estar associado é a chave para permanecer incólume e, se necessário, sair fortalecido da sociedade. O autoquestionamento e a bem conduzida discussão do contrato social são passos fundamentais para que o sócio responda a essas perguntas e, a partir daí, coloque-se, de corpo e alma, no negócio.

O que é preciso saber para escolher bem o sócio? Que características devo analisar?
Basicamente, é necessário conhecer a história pregressa do candidato à sociedade, nos planos pessoal, familiar, comercial, creditício e patrimonial. É importante saber também as reais características vocacionais do futuro sócio, sua capacidade de aportar capital e disponibilidade para o trabalho. O livro traz, em sua parte final, questionários práticos e check lists que auxiliam nessa tarefa.

Quais os principais cuidados e detalhes que as pessoas têm que ter ao entrar em uma sociedade?
Os cuidados começam na análise honesta das verdadeiras razões que levam alguém a associar-se. Esgotado o autoquestionamento, decidida a associação e escolhido, criteriosamente, o sócio, trata-se de detalhar, no contrato, as garantias de preservação de condições ideais de permanência na sociedade (influência nas decisões, participação/fiscalização da administração e contas, remuneração do capital investido) e, para o caso de retirada, ajuste de condições justas de apuração de haveres. E é sempre bom lembrar que todas as questões negligenciadas no momento zero da associação costumam reapresentar-se, com gravidade redobrada, justamente nos momentos de crise societária. Logo, o contrato bem construído é a chave para evitar futuros conflitos.

Quando o negócio precisa de investimento e um dos sócios faz um empréstimo pessoal, que consequências isso traz para o capital social da empresa? Como lidar com essa situação sem criar conflitos?
São poucos os casos em que é vantajoso trabalhar com capital de terceiros. O certo é que a sociedade só comece após os sócios terem provido, com recursos próprios e segundo avaliação técnica e realista, o capital necessário para o período de decolagem do negócio.

E, quando um dos sócios percebe que terminar uma sociedade é o melhor a fazer, de que maneira ele deve comunicar aos outros sócios?
O mais adequado é que os sócios sejam conscientizados, desde o início, de que a retirada não é o fim do mundo, mas um evento natural e às vezes inevitável ante os desdobramentos possíveis da vida societária.

Você descreve que há quatro ciclos societários naturais: O momento-zero da associação; o ponto mais alto da roda da fortuna; o ponto mais baixo da roda da fortuna; e o ponto final da roda da fortuna. Qual o período mais crítico da sociedade e onde buscar respaldo para amenizar esses pontos críticos?
O momento essencial é o do início da sociedade. A partir desse marco, a responsabilidade pelo que virá a ser é dos sócios e dos profissionais escolhidos para auxiliá-los e da escolha das palavras que preencherão essa página em branco dependerá todo o futuro da sociedade e, por que não dizer, dos próprios sócios.

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